03/12/2008 - STRESS NO DIA-DIA

O Stress, definido pela Organização Mundial de Saúde como uma epidemia global, é também uma obsessão nacional. Um estudo da PUC, de Campinas, que examinou 1800 pessoas no Aeroporto de Congonhas, num grande edifício do centro de São Paulo e na sede de uma empresa multinacional, mostrou que 32% delas apresentavam sintomas de stress em nível suficiente para merecer atenção médica. Na indústria farmacêutica brasileira, os dois remédios campeões de faturamento, Frontal e Lexotan, são calmantes benzodiazepínicos. Sua função original seria para vítimas de ansiedade e de síndrome do pânico. Mas, na prática, apenas 10% deles são de fato receitados por psiquiatras. A maior parte, prescrita por cardiologistas e clínico-gerais, acaba sendo receitada a pessoas estressadas, da dona de casa que não agüenta mais o tédio das tarefas domésticas ao executivo que é perseguido pela exaustão constante devido ao acúmulo de trabalho, ao excesso de tarefas e de responsabilidades.
A pior inovação, porém, foi à descoberta de que a maneira de obter o melhor rendimento de uma pessoa é submetendo-a a um stress pesado. ‘’O trabalhador rende bem quando está submetido a um razoável stress, mas sua máxima produtividade é atingida quando ele, sem perceber, já passou do limite’’, explica a psicóloga Marilda Lipp, da PUC de Campinas. ‘’Sob tensão pesada, o ser humano rende maravilhosamente durante algum tempo. Depois, simplesmente capota’’.
O stress não é uma doença, é o estado do organismo quando submetido à tensão. Numa situação estressante, o corpo sofre reações químicas. Em excesso, isso pode prejudicar o organismo. Veja como o stress atua sobre determinadas regiões do corpo:

  • Cérebro – Produz uma família de substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar, como a Seratonina, que faz o corpo relaxar. Submetido ao stress, o cérebro diminui a sua produção.
  • Maxilares - A pessoa estressada costuma ranger os dentes, o que pode desgastá-los e deslocar a mandíbula a ponto de pressionar os nervos da face.
  • Glândulas Supra-Renais – Fabricam adrenalina, que mantém o corpo em alerta, e o cortisol. Em excesso, o cortisol reduz a resistência ás infecções. Pode causar morte de neurônios, envelhecimento cerebral e perda de memória.
  • Coração – A noradrenalina, produzida nas supra-renais, acelera os batimentos cardíacos, provoca uma alta de pressão arterial e, quando produzida durante longos períodos, sobrecarrega o músculo cardíaco.
  • Pulmões – A tensão acelera a respiração. Para quem sofre de asma, pode desencadear crises.
  • Pele – Sob stress, os vasos sanguíneos periféricos, mais próximos da pele contraem-se e são menos irrigados. Se o stress é constante, o envelhecimento é mais rápido.
  • Estômago – O cérebro ordena ao estômago que produza os ácidos do suco gástrico. O excesso de acidez, unido á queda de resistência a infecções, pode provocar úlceras e gastrites.
  • Mãos – Um dos maiores indicadores de tensão é suar frio nas mãos.
  • Órgãos Sexuais – Nas mulheres, o stress diminui os níveis de progesterona, podendo causar queda da libido e distúrbios que causam cólicas horríveis no período menstrual. Nos homens, os efeitos do stress podem prejudicar o desempenho sexual.
  • Articulações – Situações de stress podem desencadear crises em pessoas que sofrem de artrite e reumatismo.

Quando o stress é crônico, as substâncias que geram a reação de defesa acabam intoxicando o organismo. O estômago funciona como se estivesse prestes a digerir uma presa, liberando suco gástrico e enzimas digestivas. Os gastroenterologistas chamam de ‘’úlcera de stress’’. A pressão arterial, que sobe drasticamente, leva os vasos sanguíneos a perder flexibilidade e endurecer, favorecendo a arteriosclerose. A confusão provocada no organismo ainda pode favorecer o surgimento de diabetes, derrames, depressão e até câncer. A química do stress não é, em si, responsável pelas doenças. Ela reduz a resistência do organismo e favorece o aparecimento de enfermidades para as quais a pessoa tem alguma tendência genética.
Na década de 20, o fisiologista austríaco Hans Seyle descobriu que pessoas e animais submetidos a desgaste físico e emocional desenvolviam um quadro de sintomas facilmente reconhecível. Eles iam de insônia e taquicardia a falta de apetite. Em longo prazo, poderiam levar á morte. Para definir essa síndrome, Seyle tomou emprestado um termo usado na física para definir o desgaste de materiais submetidos a excesso de peso, calor ou radiação. A descoberta foi tão marcante que stress passou a ser empregado como sinônimo de tensão, nervosismo, depressão ou estafa. Virou doença. Tecnicamente, isso esta errado. Stress é a reação do organismo á tensão – seja ela física ou psicológica, e não significa necessariamente ameaça de infarto. Passada a situação de risco, o organismo tende a voltar ao seu equilíbrio original. O problema é o stress continuado, crônico.
As pressões da vida têm peso como a maneira de cada um enfrentá-las.
Para interromper o redemoinho do stress antes que ele ponha sua saúde em risco, pesquisadores estudaram centenas de estratégias nos últimos anos. Os resultados mais eficientes não vieram de nenhum tratamento mirabolante, mas do bom e velho exercício físico. Ele ajuda a descarregar a tensão acumulada durante o dia e estimula no organismo a produção de substâncias que contribuem para o relaxamento e bem estar.
Pesquisas recentes mostram que tratamentos mais leves podem ter efeitos bem mais positivos. Exercícios de relaxamento, feitos religiosamente todos os dias, podem reduzir em até 30% o índice de complicações cardiovasculares em pacientes hipertensos. E, melhor que tudo, uma vida regrada, sem excesso de trabalho, com exercícios físicos, repouso e lazer. Contra o stress, viver bem ainda é a melhor arma.
Daniel Barbato – Gerente Técnico

"Devido ao excesso de trabalho, pude perceber que o stress passou a fazer parte da minha vida. No inicio encarava com naturalidade, mas depois percebi que estava esgotada, cansada, impaciente, com baixo índice de produtividade.
Foi um período que coincidentemente estava afastada da academia e sentia os reflexos da ausência de uma atividade física. Resolvi retornar, adequar meus horários e logo pude perceber os ótimos resultados.
Quando se pratica uma atividade física, coletiva ou não, além de ser um momento em que o corpo corresponde, a mente descansa, nos desligamos do trabalho para nos dedicarmos a um momento nosso. Uma verdadeira terapia. Resumindo, minha qualidade de vida melhorou, o trabalho rendeu, revejo meus amigos e ainda mantenho a forma.
"
Depoimento - Claudia Motta - Matr. 827

 



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