04/08/2009 - MERGULHANDO OU NÃO, A RESPIRAÇÃO É O SEGREDO – PARTE I

O ato de respirar é tão comum ao ser humano, que raramente pensamos sobre isso. Somente atletas e adeptos de yoga e de outros métodos de relaxamento dão a devida importância a esse processo. Respirar parece tão simples, que a maioria esmagadora dos mergulhadores não dá a devida atenção que deveria. A respiração correta é a habilidade mais importante que um mergulhador pode desenvolver, pois nada que você possa fazer, vai ter maior impacto no conforto e na segurança do seu mergulho. O resultado deste trabalho faz com que você fique calmo, relaxado, evita o aumento de consumo, aumenta a habilidade de lidar com situações de estresse e diminui a necessidade de lastro.
O que acontece quando respiramos?
O ciclo respiratório se inicia quando inalamos. O ar inalado passa através da boca ou nariz, traquéia, brônquios, bronquíolos até chegar aos alvéolos, que são milhões de microscópicos sacos de ar revestidos por capilares, onde é executada a troca gasosa. Uma vez no sangue, o oxigênio se combina com a hemoglobina e é levado ao coração, onde é bombeado para todos os tecidos. O oxigênio é metabolizado para a produção de energia e o CO2 produto desse metabolismo, passa das células para o sangue, encontrado, na sua maior parte, sobre a forma de íon bicarbonato, retornando em seguida para o pulmão para ser eliminado. Muitas pessoas ainda se surpreendem quando descobrem que o principal estímulo respiratório não é a falta de O2 e sim o excesso de CO2, pois os íons de bicarbonato ativam quimiosensores, que comandam os impulsos nervosos no bulbo raquiano.
A respiração na água
A respiração durante o mergulho é afetada por vários fatores. Mesmo em situações de descanso, a respiração na água envolve muito mais esforço. O aumento da pressão por si só causa compressão do tórax, ocasionando uma redução, em torno de 20% na capacidade vital e um aumento do esforço feito pelos músculos abdominais e intercostais internos. Isso é facilmente percebido quando respiramos com snorkel na posição horizontal e depois passamos para vertical com a cabeça submersa - o esforço muscular aumenta muito mais. Isso acontece também com o mergulhador autônomo que por problemas de usar muito lastro tende para uma posição mais vertical, com as pernas baixas; o que aumenta a resistência da água aos movimentos, bem como o diferencial de pressão entre o ar que é respirado e o pulmão. Com o aumento de pressão temos um aumento proporcional na densidade do gás respirado, causando consequentemente um aumento da resistência respiratória. Somando a isso tudo, a compressão do tórax e do abdome pela roupa de mergulho, pelo colete equilibrador e pelo cinto de lastro temos a somatória dos efeitos no mergulho autônomo.
A expiração é o segredo
A maioria dos mergulhadores, por ignorar as circunstâncias acima ou por não ter sido treinado com a ênfase necessária a respiração durante os cursos, ou ainda por ter aprendido técnicas erradas, frequentemente é acometida da sensação de desconforto, de mal estar e até de enjôos causados pelo acúmulo de CO2. Eles não entendem porque é necessário usar tanto lastro e porque o consumo de ar é tão elevado. Na maioria das vezes fazem respirações rasas, o chamado "cachorrinho", ou pausas prolongadas depois da inspiração. Esses procedimentos, ao contrário do que se pensa, não economizam ar, pois causam o aumento da concentração de CO2, fazendo com que o sistema nervoso reaja aumentando o número de ventilações necessárias.

Luís Fernando
ADVANCED INSTRUCTOR SSI
www.projetomergulhar.com.br

O mergulho como estilo de vida



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