O mergulhador deve desenvolver desde o primeiro contato com o equipamento, a técnica correta de respiração, que é a ênfase na expiração, que faz com que a troca gasosa seja a maior possível. Isso diminui a concentração de CO2 e, consequentemente, as chances de desconforto, hiperdistensão pulmonar e consumo desnecessário.
Com a ênfase na expiração, o ar nunca fica preso durante as ventilações. A expiração deve ser lenta e profunda. Já a inspiração deve ser lenta e trabalhada pelos músculos abdominais, para que seja mais relaxada. Não existe a necessidade de se inflar completamente os pulmões, muito pelo contrário, pois esse procedimento aumenta a chance de hiperdistensão pulmonar, (de maneira desnecessária) o consumo e o esforço respiratório; já que basta um pouco mais da metade da intensidade normal de ventilação para que a hemoglobina no sangue fique quase completamente saturada de oxigênio.
Ou seja, o segredo é uma expiração longa e profunda, seguida de uma inspiração mais breve sem encher o pulmão completamente; pois isso facilita a ventilação dos espaços mortos, diminuindo a chance de intoxicação por CO2, bem como, o consumo, já que a ênfase dessa técnica é a expiração.
Aprendendo a respirar
A maioria dos mergulhadores tem dificuldade em ter conforto durante o mergulho, por usar técnicas ineficientes de respiração. As técnicas corretas precisam ser ensinadas com ênfase desde o primeiro contato com o equipamento. A reação natural dos mamíferos na água é respirar e prender a respiração, quando seu rosto toca a água. Esse reflexo é conhecido como "reflexo mamário", que faz com que os novos mergulhadores inspirem rápido e só expirem em função de poder fazer uma nova respiração; ou seja, apresentam a tendência de desenvolver o pior padrão possível de respiração: inspiração curta e expiração curta, seguida de parada - a pior "receita" possível!
Costumo lançar mão num curso básico do sistema do "boizinho", onde o aluno, desde o primeiro contato com o regulador, mesmo fora d’água, emite um som como o mugido de um boi, para que possa treinar e assimilar a necessidade da expiração lenta e profunda. Uma outra técnica que ajuda muito é repetir o "boizinho" com o rosto na água sem máscara; alternando as expirações pela boca e pelo nariz, para que o aluno possa mostrar que superou de vez o reflexo mamário. Assim que essa respiração se tornar um hábito, a troca gasosa será mais efetiva, mesmo em situações de maior esforço ou estresse. Bem como, será mais fácil evitar que o mergulhador solte normalmente o ar pelo nariz; geralmente a causa mais comum do dito: "nenhuma máscara fica boa em mim".
Obtendo resultados
Para que você possa realmente obter resultados no trabalho com a sua respiração, tente nos próximos mergulhos aprender a respirar. Concentre todo tempo necessário na expiração, acelere a natação, aumentando o esforço físico, você deverá conseguir manter quase o mesmo ritmo respiratório, Lembre-se: quanto mais você tiver vontade de inspirar, expire… devagar e profundamente. E quanto mais esforço fizer, expire… longo e profundamente. Concentre-se nos movimentos abdominais.
Quando tiver certeza que, aconteça o que acontecer, seu parâmetro respiratório não se altera, passe a praticar sem máscara. Você sentindo que seu padrão respiratório também não se altera sem máscara, garanto que você poderá tirar uns quilinhos de chumbo, bem como gastar menos ar. Treinando, você irá fazer com que o seu subconsciente mantenha esse padrão respiratório e, até mesmo, se necessário, venha a alterá-lo ligeiramente, em função de um ajuste fino do equilíbrio hidrostático. Tenha certeza que esse é o melhor investimento que você poderá fazer em suas habilidades como mergulhador, pois essa, sem dúvida, é a habilidade mais importante.
Luís Fernando
ADVANCED INSTRUCTOR SSI
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O mergulho como estilo de vida